[GUIA] 6 atividades matemáticas para a volta das férias

Anna
Anna
10/08/2026|4 min de leitura
[GUIA] 6 atividades matemáticas para a volta das férias

A volta às aulas depois de um período de férias é sempre um momento especial: reencontros, salas de aula preparadas, planejamento… e sim, também aqueles primeiros contatos com a matemática depois de um tempo de descanso.

Como professores, sabemos que a volta às aulas depois das férias é um momento intenso. Os primeiros dias de volta são dos mais importantes e fundamentais para retomar um bom ambiente na sala de aula: recuperamos rotinas, reforçamos hábitos, revisitamos as relações entre os alunos e o professor, relembramos as dinâmicas de trabalho, etc.

Sumário

Por que as primeiras aulas de matemática depois das férias são tão importantes?

Sabemos que os primeiros dias são uma oportunidade muito bonita para ganhar energia, identificar em que ponto estamos, fazer dinâmicas para quebrar o gelo e estimular a conversa e a participação em sala de aula. Depois das férias, é normal que alguns conhecimentos estejam um pouco “adormecidos” (o famoso learning loss que comentamos neste artigo).

A volta às aulas depois das férias é uma oportunidade perfeita para:

  1. Ver quais ideias matemáticas seus alunos realmente têm, como raciocinam, quais estratégias usam, quais erros são comuns. Para entender como um aluno pensa, o melhor diagnóstico é feito observando-o enquanto faz matemática de forma ativa.
  2. Convidar as crianças a pensar novamente de forma matemática, a conectar ideias e a se sentirem capazes.
  3. Mostrar a matemática como uma atividade interessante, repleta de desafios e descobertas, na qual errar faz parte do aprendizado. Romper com possíveis medos ou rótulos negativos.
  4. Comparar estratégias, comunicar ideias matemáticas, respeitar os tempos de pensamento…

Preparamos um guia com ideias e atividades que vão além da típica revisão, pensadas para que esta volta às aulas depois das férias seja um verdadeiro sucesso. Esperamos que se divirtam muito com seus alunos e deixem a imaginação voar.

Vamos começar?

6 atividades matemáticas para as primeiras semanas depois das férias

1. Contagem de olhos fechados

A primeira dinâmica que propomos é uma atividade em grupo na qual ou todos ganham, ou todos perdem.

Todos os jogadores fecham os olhos e, um a um — sem planejar nada nem avisar a ordem —, devem contar até o número de alunos que há na sala. Por exemplo, se forem 25 alunos, terão que contar até 25.

Cada jogador só pode dizer um número; ou seja, se um aluno já disse o 8, não poderá dizer o 18. Todos precisam participar. A dificuldade está em que o mesmo número não pode ser dito por duas pessoas ao mesmo tempo, e, se isso ocorrer, é preciso começar de novo. Ganha-se no momento em que se chega ao último número.

Como adaptamos a atividade para diferentes níveis?

Uma versão mais simples é fazer a dinâmica em pequenos grupos, de forma que o intervalo seja menor e consigam terminar antes. Podemos até fazer a dinâmica com os olhos abertos e não deixar que se avisem com palavras, mas sim com o olhar.

E para complicar, podemos fazer com que, em vez de contar de um em um para frente, contem para trás, ou de 2 em 2, ou de 5 em 5, etc.

Como podem ver, é um jogo cooperativo em que todos têm o mesmo objetivo. Com essa dinâmica praticamos a contagem acústica e aspectos mais socioafetivos, como saber ouvir uns aos outros e ter paciência.

2. O mapa

Nesta dinâmica, eles se tornarão arquitetos e investigadores, e colocarão em prática conteúdos de Espaço e forma, como a orientação, o vocabulário posicional e a medição de distâncias, entre outros.

Propomos que os alunos se agrupem em duplas e pedimos que um integrante de cada dupla escolha um objeto para escondê-lo em algum lugar da sala — podemos fazer isso por turnos para que não vejam os esconderijos.

Pedimos ao aluno que escondeu o objeto que desenhe uma planta da sala. Quanto mais conhecimentos prévios tiverem — sobre medidas em escala, vista aérea dos objetos, proporções corretas entre os objetos, etc. —, mais exigentes seremos com a planta. Podemos até fazer perguntas do tipo: «Qual é a área da sala?», «Quanta superfície as mesas ocupam?».

Depois de feita a planta, pedimos ao aluno de cada dupla que escondeu o objeto que desenhe o percurso exato que o colega deve seguir para encontrá-lo. Por fim, desafiamos o colega a encontrar o objeto seguindo o percurso da planta. Depois que encontrarem, convidamos as duplas a jogar novamente trocando os papéis.

Como adaptamos a atividade para diferentes níveis?

Para reduzir a complexidade da dinâmica, podemos fazer com que o colega que cria as instruções acompanhe a dupla no percurso.

E para complicar, e para trabalhar aspectos de programação, podemos fazer com que, em vez de desenhar o percurso, deem instruções a partir de ícones. Podemos definir juntos os ícones que usaremos para decifrar os códigos (por exemplo, → ← ⇅ ↰ ↱, ou combinações em loops de repetição, como ×3 →).

O mapa do tesouro

Para os desafios de verão, propusemos uma proposta semelhante. Convidamos vocês a conhecê-la!

3. Duas verdades e uma mentira

Essa dinâmica já realizamos muitas vezes em sessões de Laboratório e Aventuras. Seu objetivo é identificar, entre três afirmações, qual não é verdadeira, e argumentar o porquê.

A seguir, vocês encontrarão alguns exemplos que aparecem nos guias da proposta:

Para adaptar esta atividade à volta às aulas depois das férias, propomos que os alunos escrevam três frases sobre si mesmos: duas verdadeiras e uma falsa. Podem compartilhar com a turma ou fazer em grupos, e o objetivo é que os demais adivinhem qual é a mentira.

Essa dinâmica pode nos ajudar a nos reconectarmos, a quebrar o gelo de forma criativa, e ao mesmo tempo apresentar um tipo de atividade recorrente na Innovamat.

Se quisermos, podemos dar um toque matemático e adicionar condições como: «Em uma frase deve aparecer o 1, em outra o 2, e em outra o 3». E até quando já conhecerem a dinâmica, podemos propor que façam frases matemáticas como as dos exemplos.

4. A data

Temos certeza de que, se pensarem bem, vão se lembrar de muitas situações em sala de aula em que brincaram com a data. Por exemplo, fazendo perguntas como: «E amanhã, que dia será?». A data é um recurso muito interessante para as aulas de matemática e, por isso, propomos alguns jogos bem dinâmicos para jogar em sala de aula.

No primeiro jogo, partimos de uma pergunta inicial, como por exemplo: «Se a escola começa hoje, em que dia cairá o dia 100 de aula?». E, a partir desta, podem surgir muitas outras: «Contamos os finais de semana?», «O que fazemos com os feriados?», «E que dia será dentro de 101 dias?», «E dentro de 50?».

Com essa pergunta, aparentemente simples, já podemos ver que surgem muitos aspectos a trabalhar, tanto do ponto de vista de conteúdo (senso numérico), quanto aspectos mais relacionados a competências, como a resolução de problemas na hora de buscar estratégias para encontrar o resultado.

O segundo jogo que propomos é realizado em alguns Aquecimentos do Laboratório e trata de estabelecer igualdades entre os números da data. Escrevemos a data do dia na lousa (dd/mm/aa ou dd/mm/aaaa) e propomos aos alunos que, sem mudar a ordem dos dígitos, estabeleçam uma igualdade entre eles, como mostrado nos dois exemplos a seguir:

A data

A volta às aulas também é um ótimo momento para refletir e fazer propósitos. Estar conscientes dos desafios que temos pela frente e definir objetivos nos faz conectar muito mais com o processo de aprendizagem. Por isso, propomos duas dinâmicas mais reflexivas e emocionais para este novo período que se inicia.

5. A cesta de desafios

Esta não é uma dinâmica para trabalhar conteúdo matemático, mas sim tem por objetivo trabalhar a autoconsciência e os desafios pessoais.

Propomos que cada um escreva em um papel um desafio que se propõe, nesse caso voltado para as aulas de matemática. Por exemplo, poderiam completar uma frase como: «Neste período, em matemática…». Quando todos tiverem escrito seus propósitos, colocamos no «cofre» para guardá-los todos juntos. Por fim, e de forma totalmente opcional, podemos explicar que, mais adiante, cada um abrirá seu papelzinho para ver o que escreveu e refletir sobre isso.

6. Uma carta para a matemática

Por último, propomos uma dinâmica que já recomendamos em outras ocasiões, mas que consideramos muito completa: escrever uma carta para a matemática.

Essa dinâmica, criada por duas professoras apaixonadas por matemática, Sarah Strong e Gigi Butterfield, consiste em escrever uma carta para a matemática no início deste período e relê-la mais adiante. O objetivo é observar a evolução dos alunos em relação à matemática. É uma atividade que os convida a pensar, a serem reflexivos e críticos consigo mesmos e, por que não, também críticos com a matemática. Uma dinâmica muito versátil para que expressem seus medos, mas também seus propósitos.

Esperamos que essas dinâmicas possam ajudar vocês nesta volta às aulas depois das férias. Muita força e aproveitem esta nova etapa e a matemática!

E eu, como professor, o que faço?

Enquanto seus alunos participam dessas atividades, seu trabalho principal é observar e escutar ativamente. Caminhe pela sala, faça perguntas abertas (“Como você fez isso?”, “Por quê?”, “Existe outra maneira?”), estimule a discussão entre eles.
Faça anotações sobre o que você observa: quem participa, quem tem dificuldades com o quê, quais ideias interessantes surgem, quais erros lhe dão pistas. Essa informação qualitativa é muito rica para entender seus alunos e planejar os próximos passos.
As primeiras semanas depois das férias são o momento ideal para retomar os alicerces de uma comunidade de aprendizagem matemática sólida:

  • Estimule a colaboração e o trabalho em equipe
  • Celebre a diversidade de estratégias e maneiras de pensar
  • Transforme o erro em uma oportunidade para aprender e raciocinar
  • Dê importância à comunicação do pensamento matemático

Criar esse ambiente seguro e estimulante fará com que seus alunos se arrisquem mais, participem e gostem de aprender matemática ao longo de todo o período.
Esperamos que essas ideias sirvam de inspiração para você. Muito boa volta às aulas!